natasha EPE

Fórum promove Lives para aprofundar a compreensão da sociedade sobre a UHE Bem Querer

Nas noites desta terça-feira e quarta-feira o Fórum de Energias Renováveis de Roraima vai dar mais um passo para levar à sociedade as informações necessárias para que tenha a plena compreensão do processo de instalação da Usina Hidrelétrica do Bem Querer.

Para isso, serão produzidas Lives a partir das 19h30 com representantes da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e do Instituto Socioambiental (ISA). Na live de hoje (18) quem vai participar é a Coordenadora do Estudo de Impacto Ambiental do Projeto da Usina Hidrelétrica do Bem Querer, Natasha Sodré, da EPE.

Ela vai falar sobre os aspectos técnicos do empreendimento que abrangem desde dados de engenharia, como altura da barragem, tipo de construção, extensão do lago e todo o funcionamento do processo de construção e produção, logo depois de concluída a obra.

Natasha Sodré vai abordar as fases do processo de licenciamento ambiental, como está sendo feito, qual empresa está à frente desse processo e como são feitos os estudos de impacto social, econômico e ambiental.

A coordenadora vai explicar em que fase está o processo e falar sobre as previsões calculadas pela EPE para início da obra e da produção de energia.

O moderador das lives será o coordenador do Fórum, engenheiro Alexandre Henklain. “Nessas duas lives, de hoje (18) e amanhã (19), a partir das 19h30, poderemos compreender melhor as razões que levam o Governo Federal, mediante a Empresa de Pesquisa Energética – EPE, a considerar o projeto da Hidrelétrica do Bem Querer como uma alternativa de geração de energia potencialmente viável e as contrarrazões apresentadas pelo ISA à implantação do projeto. EPE e ISA representam “linhas de pensamento” da maior relevância! Com duração estimada em uma hora e a moderação do FÓRUM DE ENERGIAS RENOVÁVEIS DE RORAIMA, nessas lives certamente poderemos aprofundar nossa compreensão sobre o assunto, suas perspectivas, implicações e impactos”, destacou Henklain.

Para ter acesso às lives os interessados podem entrar em @energiasrenovaveisrr, onde poderão entender as propostas, fazer perguntas e emitir opinião a respeito do assunto.

Por Nei Costa

SITE LIVES SEGUNDA

Fórum de Energias Renováveis promove lives para discutir o projeto de construção da UHE do Bem querer

O Fórum de Energias Renováveis de Roraima está na reta final das discussões sobre a construção da Usina Hidrelétrica do Bem Querer, no município de Caracaraí.

O objetivo é informar a população sobre o projeto, o que ele representa e quais são os seus possíveis impactos ambientais, sociais e econômicos. O assunto será discutido por especialistas e representantes da sociedade civil em duas lives nas redes sociais do Fórum (@energiasrenovaveisrr), às 19h30, partir do dia 18 de agosto. Além de interagir com a população, a ideia é tirar dúvidas sobre o projeto.

Os debates serão mediados pelo coordenador do Fórum, Alexandre Henklain. Para ele, ampliar o acesso às informações sobre a hidrelétrica é fundamental nesse momento. “Faremos lives com profissionais tecnicamente qualificados, para que eles sintetizem os posicionamentos existentes, a favor e contra a construção do Projeto da UHE do Bem Querer, ajudando cada pessoa em nossa comunidade a formar sua própria posição sobre esse projeto que, caso concretizado, para o bem ou para o mal será determinante para o futuro de Roraima”, explica Alexandre.

Na terça-feira, 18, a entrevistada será Natasha Sodré, coordenadora do Estudo de Impacto Ambiental da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). A empresa é responsável pelo projeto e vai contar detalhes do empreendimento, as etapas do processo de licenciamento ambiental e todos os levantamentos feitos em campo na área que terá influência da obra.

Na quarta-feira, 19, será a vez do biólogo Ciro Campos, do Movimento Puraké e analista do Instituto Socioambiental (ISA). O especialista do grupo criado em 2012 para discutir o futuro energético de Roraima vai explicar a atuação do movimento e mostrar os resultados dos levantamentos feitos sobre a construção da UHE do Bem Querer.

Ao final, o Fórum vai abrir um espaço de enquetes para as pessoas opinarem, dizendo se concordam ou não com proposta de construção da Usina do Bem Querer.

 

Por Raynãa Fernandes

Engenheiro Orlando Martins

UHE do Bem Querer é fundamental para o desenvolvimento de Roraima, garantem engenheiros

A construção da Usina Hidrelétrica do Bem Querer, no rio Branco, município de Caracaraí, será de fundamental importância para o desenvolvimento do estado de Roraima. Essa é a opinião do engenheiro e gestor de projetos, Orlando Martins Júnior e do engenheiro Admar Sá.

Eles acreditam que entre os prós e contras da usina, os benefícios são muito maiores do que os prejuízos que podem ser causados em nível social, ambiental ou econômico.

Estudiosos do projeto da Usina do Bem Querer, eles afirmam que o projeto não vai causar tantos danos à natureza e, ao contrário, vai dinamizar o desenvolvimento do agronegócio, do transporte fluvial e dará a Roraima a segurança energética de que tanto precisa para sair do marasmo que se encontra há anos.

Orlando Martins explicou que três pontos fundamentais devem ser levados em consideração quando se fala de Bem Querer. “Primeiro é que a construção da usina vai possibilitar que o setor agrícola ganhe impulso, já que vai possibilitar que novos projetos de irrigação possam ser desenvolvidos e o Estado possa se transformar num grande produtor e exportador de grãos, por exemplo. Segundo porque vai possibilitar que o Rio Branco torne-se navegável até Boa Vista, fato que vai gerar economia para o estado, uma vez que o transporte fluvial é muito mais barato que outros. Terceiro é que o estado vai ganhar segurança energética e com isso atrair novos investimentos que vão gerar empregos e melhorar a condições de vida das pessoas”, destacou.

O gestor de projetos disse que, ao contrário do que muitos afirmam, essa usina não vai gerar tantos impactos ambientais, pois a área de alagação será no lavrado, fato que diminui a emissão de gases.

Outro fator levantado pelo engenheiro é que a área de alagação da usina será de cerca de 500 quilômetros quadrados, número esse que não é muito superior aos apresentados hoje, mesmo sem a usina. “Hoje, no período das chuvas, a área de alagação atinge cerca de 300 quilômetros quadrados”, disse.

Orlando lembrou que a UHE do Bem Querer terá uma potência instalada de 700 MW e média de 400MW. Estará na ponta de um sistema e vai funcionar como compensadora do Sistema Interligado Nacional. “Quando Bem Querer estiver na sua condição de plena produção, no período das cheias, o restante das usinas brasileiras  vão estar produzindo menos, pois estarão no período da estiagem. Isso vai fazer com que Bem Querer funcione como base de compensação para todo um sistema, ou seja, existirá um balanço hídrico no sistema”, explicou.

Orlando esclareceu que o processo está na etapa de estudo, mas a partir do momento que for aprovado levará cerca de três anos para ser concluído. “Se o processo de licenciamento terminar em 2021 e for aprovado pelo Ibama, a obra terá um período de cerca de três para a sua conclusão”.

O engenheiro Admar Sá disse que outro aspecto a ser levado em consideração é a linha de transmissão Manaus/Boa Vista. Ele disse que esses dois projetos se complementam e que contribuem para aumentar a confiabilidade e segurança no atendimento à demanda de energia (em Roraima) nos estados de Roraima e Amazonas, este último recebendo o excedente de energia produzida.

Admar explica que a usina será uma fonte de energia firme, na ponta de um sistema de transmissão final da linha Manaus/Boa Vista. “Além disso, ainda que o fornecimento de energia pela União seja interrompido, Bem Querer terá a capacidade de suprir a demanda de energia do Estado de maneira integral na maior parte do ano e parcial no período seco”.

Por Nei Costa

 

Enquete.

Fórum vai lançar enquete para saber opinião popular sobre a construção da UHE do Bem Querer

Nas últimas semanas o Fórum de Energias Renováveis de Roraima vem produzindo e divulgando uma série de matérias jornalísticas sobre a Usina Hidrelétrica do Bem Querer que mostram as posições de vários atores no processo. O governo federal, por meio da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), mostrou os aspectos técnicos do empreendimento, as etapas do processo de licenciamento ambiental e todos os levantamentos feitos em campo na área que terá influência da obra.

Já os representantes da sociedade civil organizada, movimentos de defesa do meio ambiente e políticos mostraram suas posições e apresentaram argumentos contrários ou favoráveis que serviram para que as pessoas ainda leigas no assunto tomassem conhecimento e formassem suas próprias opiniões a respeito da construção da Hidrelétrica do Bem Querer.

O coordenador do Fórum, Alexandre Heinklain, explicou que os objetivos foram alcançados e que houve um grande envolvimento de representantes dos mais diversos setores, como empresários, profissionais de engenharia, ambientalistas e políticos. Nas redes sociais a participação popular foi intensa e gerou amplos debates sobre o assunto.

Alexandre esclareceu que o Fórum está analisando a proposta da construção da Usina Hidrelétrica do Bem Querer e está fazendo essa análise em etapas. “A primeira foi levar informações para a sociedade civil sobre o projeto, o que ele representa, quais são os seus possíveis impactos ambientais, sociais e econômicos”.

Heinklain afirmou que essa análise também está levando em consideração o ponto de vista de geração de energia, segurança energética e estabilidade no fornecimento de energia para Roraima.

“Estamos discutindo os prós e os contras, analisando as controvérsias, as polêmicas que existem em relação a esse projeto e ouvindo as mais diversas correntes, informando a população por meio de matérias publicadas no portal do Fórum e encaminhadas para toda a imprensa mediante releases, para que o assunto entre em discussão de uma forma transparente e democrática”, destacou Alexandre.

Segundo o coordenador, nos próximos dias o portal do Fórum vai abrir um espaço de enquetes para que as pessoas possam opinar, dizendo se concordam ou discordam dessa proposta de construção da Usina do Bem Querer e quais suas posições a respeito, não se restringindo apenas a dizer se querem ou não querem a usina, mas porque querem ou não.

“No fim desse processo, queremos promover um grande evento online, provavelmente uma conferência em que nós teremos diversos debatedores e a possibilidade da participação dessa plateia, utilizando, evidentemente, uma dessas plataformas de vídeo conferência para que nós possamos, à distância, contar com participantes não apenas aqui de Roraima, mas de todo o Brasil”, concluiu.

Por Nei Costa

FOTO MATÉRIA 4 THAMY

As potencialidades do Biogás como fonte de energia renovável

Conhecer novas alternativas e investir em fontes de energia limpa tem sido o caminho para a harmonização entre economia e meio ambiente. E tem ofertas que podem reduzir a emissão de gases no efeito estufa e ainda gerar autonomia, basta um olhar mais voltado para as potencialidades e perceber que a solução pode estar bem perto, acessível e com baixo custo gerando grandes possibilidades de execução, como o Biogás.

O biogás é uma mistura de vários tipos de gases, é uma fonte de energia limpa e renovável não intermitente, que o diferencia da energia solar e da eólica, e que permite sua adaptação à demanda local. Pode ser produzido por meio de substratos de origem vegetal, animal, resíduos orgânicos ou agrícolas. Segundo a Fundação Getúlio Vargas de Energia (FGV), a produção do biogás é indutora de investimentos na correta destinação e tratamento de resíduos urbanos, industriais e da agropecuária, ou seja, um grande aliado do saneamento ambiental. Além disso, a produção de biogás possibilita a democratização da produção e do uso de energia, redução de gastos com tratamento de efluentes, aumento de renda, geração de empregos e desenvolvimento regional.

E com essa opção é possível solucionar os problemas das propriedades rurais que ainda enfrentam dificuldades com o abastecimento de energia elétrica. O produtor rural ou empresário pode utilizar a energia gerada pelo biogás para o abastecimento interno ou injeção na rede de distribuição para compensação. De acordo com o consultor Ricardo Lima, o custo da instalação varia em função da matéria prima que será utilizada e do porte do empreendimento. “Existem instalações, hoje, já em escala industrial usando a vinhaça na produção de etanol. E também a partir de resíduos de granjas, usando o estrume e gerando energia elétrica. Também pode ser a partir do lixo, como em instalações que já funcionam em São Paulo e no Rio de Janeiro”, informou Ricardo.

O investimento em produção de biogás pode ser uma solução para dois problemas: o energético e os de dejetos animais poluentes ou biomassa agrícola residual poluente. O consultor destaca ainda que o metano gerado em aterros e que vai para a atmosfera, tem efeito de gás no efeito estufa quarenta vezes superior ao CO2.

De acordo com o CIBiogás- Centro Internacional de Energias Renováveis- um estudo do Panorama do Biogás no Brasil, realizado entre dezembro de 2019 e março de 2020, contabilizou no ano passado mais de 400 plantas ativas voltadas para a energia elétrica como atividade principal.  O Brasil é um dos países com o maior potencial energético do mundo, o número equivale a cerca de 84,6 bilhões de metros cúbicos/ano. O Paraná é hoje o estado com a maior quantidade de instalações de sistemas de biogás, em função da suinocultura.

De acordo com a Abiogás, atualmente 84% das plantas de biogás no Brasil atuam na geração de energia elétrica, enquanto 1% delas produz biometano. Os dados mostram ainda que a participação do biogás na oferta interna de energia elétrica é ainda de apenas 0,1%.

 

Por: Thamy Dinelli

Fonte: CIBiogás

diocese

Diocese de Roraima promove Ciranda Virtual a respeito da construção da UHE do Bem Querer

No final da tarde desta segunda-feira (10), a Diocese de Roraima promoveu uma Ciranda Virtual para discutir os impactos que poderão ser gerados pela Usina Hidrelétrica do Bem Querer. Participaram do encontro Yuri Paulino, da Coordenação Nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens e o biólogo Ciro Campos, representando o Movimento Puraké. A Ciranda foi mediada pela Irmã Telma Lage, coordenadora do Centro de Migrações e Direitos Humanos da Diocese.

Os participantes da Ciranda foram unânimes em afirmar que há muito o quê se discutir sobre o empreendimento e que o governo federal, por meio das empresas responsáveis pelo projeto e pelo licenciamento ambiental devem ser mais transparentes, colocando à disposição as informações sobre os impactos que podem ser gerados com a construção da UHE.

Ciro Campos começou afirmando que o Rio Branco faz as pessoas pensarem sempre vida, “em vida plena e vida com abundância”. Ele lembrou que representa um Movimento que sempre lutou pela disseminação da informação para que a sociedade possa conhecer o projeto decidir por conta própria se é ou não é bom para o Estado como um todo.

Yuri Paulino disse que compartilhar ideias abrangentes sobre o tema é de suma importância para tentar fazer com que o Rio Branco continue correndo livre e diferente de outros rios que hoje já não têm essa chance, “pois foram tomados pela ganância e violência do capital”.

Yuri lembrou que o Movimento que representa existe há 30 anos e como diz o nome, a sua origem é de trabalhadores que foram expulsos de suas terras pela construção de barragens, especialmente hidrelétricas para produzir energia em todo o Brasil. Ele explicou que as hidrelétricas no Brasil, em sua essência, são estruturas feitas nos rios com muros e paredes para produzir energia de forma mecânica.

“Tecnicamente a hidrelétrica seria isso, mas do ponto de vista social do ponto de vista ambiental a hidrelétrica é um conjunto de outras coisas que não podem ser olhadas apenas como uma estrutura de engenharia que represa água, gera um movimento que gera energia para atender as demandas. Do ponto de vista social e ambiental a hidrelétrica é um conjunto de outros fatores que a gente precisa debate e fazer com que a sociedade entenda o que é”, disse Yuri.

Ciro Campos lembrou que o projeto do Bem Querer, por enquanto, é só um projeto e trata-se de uma usina de grande porte, hoje a maior usina planejada para Amazônia. “Uma barragem de aproximadamente 10 km de extensão com quase 20 m de altura que seria construída bem próxima da sede do município de Caracaraí e formaria um lago de mais de 50 mil hectares ou cerca de 520 quilômetros quadrados. Esse lago começaria em Caracaraí e terminaria após Boa Vista. Essa é a diferença fundamental em termos de Meio Ambiente. Você transformaria um trecho de aproximadamente 135 km de rio com água corrente e um trecho de água parada. Do ponto de vista social e econômico é uma obra que pode trazer mudanças bem intensas e profundas e sem precedentes”.

Outro fator que foi lembrado pelos dois participantes da Ciranda é que no pico da obra poderiam ser gerados cinco mil empregados. O problema, segundo ele, é que há exemplos de outras usinas hidrelétricas da Amazônia, onde se disponibilizaram um número de vagas de emprego, mas o número de pessoas que fluíram para a obra foi bem maior.

Eles afirmam que esse tipo de impacto não é reconhecido e nem esclarecido pelo governo federal. Ciro e Yuri lembraram que no caso da hidrelétrica de Belo Monte havia uma oferta de emprego de pouco mais de 20 mil pessoas, mas a obra atraiu quase 100 mil. Isso gerou um impacto de proporções gigantes, pois a estrutura urbana de Altamira, não estava e nem foi preparada para receber um volume tão grande pessoas.

De acordo com Ciro e com Yuri, houve uma sobrecarga e os serviços essenciais como saúde, educação e segurança não tiveram condições de atender a demanda e o que causou um grande impacto social, gerando violência, doenças e índices enormes de pessoas sem acesso à educação.

Ciro Campos explicou que a usina promete fornecer energia para o Estado de Roraima, mas principalmente para atender ao Sistema Interligado Nacional. “Isso significa que é uma obra para atender o Brasil como um todo, mas quem paga o preço são as pessoas que vivem em Roraima”, destacou o biólogo.

Para o representante do Movimento Puraké, a obra promete agregar pouco para a indústria e para o comércio locais de Roraima, pois as compras normalmente são de grande proporção que sempre beneficiarão grandes empresas de outros estados no Brasil. “Então, até mesmo do ponto de vista do emprego a gente acredita que ela é uma obra que vai apresentar poucos benefícios”.

Já Yuri Paulino lembrou que todos os grandes projetos que são discutidos na Amazônia, como mineração e abertura de estradas, “são carregados de muitas mentiras no sentido de enganar o povo com a promessa que vai trazer desenvolvimento, emprego e no caso das hidrelétricas que vai trazer a energia e qualidade de vida. Tudo isso é só mentira”.

Ciro Campos chamou a atenção para uma questão que ele considera muito importante, que diz respeito às alternativas. “O governo diz que os estudos estão disponibilizados para todos, mas o estudo de alternativas trata-se do seguinte: “uma alternativa é para que essa hidrelétrica seja um pouquinho mais para esquerda ou um pouquinho mais para direita. Essa hidrelétrica vai ser desse jeito ou daquele. Não é um estudo de alternativas à construção da hidrelétrica. Essa é uma questão que nós estamos discutindo agora no Fórum de Energias Renováveis de Roraima, que é a necessidade de pressionar o governo para que se faça esse estudo de alternativas ou que disponibilize todas as informações para que nós, da sociedade civil, nos juntemos para analisar quais as melhores”, cobrou Ciro.

Yuri e Ciro lembraram que em Roraima há alternativas para geração de energia e citaram como exemplo o sol, o vento, a biomassa e até a agroenergia. Para eles, o custo da obra da UHE do Bem Querer é muito alto e que com o volume de dinheiro que será gasto nela, daria para fazer investimentos em outras fontes e ainda promover o desenvolvimento social sem gerar tantos problemas.

Ambos afirmaram que com a proximidade das eleições é necessário que os políticos entrem nesse debate. “Eles querem fazer o espetáculo, a promessa de desenvolvimento e anunciar grandes obras. É onde os demagogos se criam, prometendo coisas para o povo que não vão resolver os problemas tão importantes. Por isso, as pessoas devem ficar atentas, pois a tendência são eles se aproveitarem disso para tentar enganar o povo”, chamou a atenção Yuri.

Por Nei Costa

FOTO MATÉRIA 3 THAMY - Copia

Conselho de Consumidores da Roraima Energia quer melhorar serviços prestados à população

Um elo entre os consumidores e a distribuidora de energia do Estado. É assim que o Conselho de Consumidores da Roraima Energia é definido pelos membros. Criado no ano de 1999 por uma resolução normativa da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), os conselhos de consumidores em todo país atuam de forma consultiva junto às empresas com o objetivo de contribuir com a melhoria da qualidade dos serviços prestados à população. A atuação é voluntária e os participantes não são remunerados.

De acordo com a Aneel, o objetivo foi criar condições para que os Conselhos atuem conforme sua atribuição legal, mantendo o seu caráter consultivo e reforçando a representatividade das classes de unidades consumidoras, com autonomia perante as distribuidoras, com mecanismos de planejamento das atividades e de prestação de contas. Para cumprir o objetivo, a agência realizou consulta pública em 2008, quando foram recebidas contribuições dos Conselhos de Consumidores já constituídos, consumidores, associações representativas de classes, órgãos de defesa do consumidor, Ministério Público, Defensoria Pública, concessionárias e permissionárias de distribuição e outras entidades da sociedade civil.

Cada classe de unidades consumidoras deve ser representada por um conselheiro titular e um conselheiro suplente. A duração do mandato dos conselheiros é de dois anos, ficando a critério do Conselho a possibilidade de renovação. Os conselheiros titulares podem eleger um presidente e um vice-presidente para o Conselho, e cabe à distribuidora de energia elétrica indicar um representante titular e um suplente para a função de secretário-executivo, mas eles não têm direito a voto nas deliberações.

Em Roraima, o Conselho é formado por representantes de vários setores da sociedade, listadas como: classe comercial, classe residencial, classe rural, classe industrial e representantes do poder público (prefeitura). De acordo com Amanda Lia Ward Torquato, conselheira há 4 anos, os membros avaliam questões relacionadas ao fornecimento de energia elétrica, análise e orientação quanto aos problemas que os clientes da distribuidora enfrentam com os serviços.

Amanda Lia, que também é superintendente do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/RR) e presidente no Conselho, diz que as maiores demandas são dos consumidores residenciais. “Instabilidade de energia, valores e cobranças quanto a iluminação pública são as maiores reclamações que chegam até os conselheiros. Depois de recebidas e analisadas, encaminhamos as demandas para a Ouvidoria da distribuidora” destacou Amanda. O Conselho frisa ainda que quanto a iluminação pública a concessionária repassa o valor recebido pelos consumidores às prefeituras, que são as responsáveis pela qualidade do serviço nos municípios.

Os conselheiros se reuniam uma vez ao mês para discutir as demandas enviadas pela sociedade, mas por causa da pandemia da Covid- 19 os encontros foram suspensos. “Agora nós estamos vendo a possibilidade de um encontro on-line para analisar as denúncias e pedidos que chegaram até o conselho nos últimos meses” disse a presidente.

O Conselho de Consumidores pode ser acionado pelo e- mail: [email protected] ou pelo telefone 2121-1433. Além de discutir as melhorias para o abastecimento de energia elétrica, o Conselho participa de ações sociais realizadas pela Roraima Energia na comunidade. “Essa ação conta com a participação de médicos para os mais diversos tipos de atendimentos de saúde à população. Nessa atividade temos também a colaboração de profissionais da beleza para outros serviços”, reforçou a conselheira.

O Conselho de Consumidores é aberto para participações da sociedade. Membros de associações, instituições e sociedade civil podem ingressar no grupo, para isso devem atender a algumas exigências como, por exemplo, ser indicado por uma entidade representativa da classe.  A ANEEL informou que não interfere neste processo, em regra, o Conselho mapeia as entidades mais representativas da área de concessão, para cada uma das principais classes de consumo, entra em contato com elas e solicita indicação de candidatos para compor o Colegiado.

A agência disse ainda que por causa da COVID-19, autorizou a prorrogação do mandato dos atuais Conselheiros até 31/12/2021. Então, o próximo mandato será 2022-2025, cuja composição será definida pelo Conselho no segundo semestre do ano que vem.

 

Por Thamy Dinelli

Foto – divulgação

natasha EPE

Previsão para conclusão dos estudos de impacto ambiental da UHE do Bem Querer é 2023

A coordenadora do Estudo de Impacto Ambiental da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Natasha Sodré, afirmou que os Estudos de Impacto Ambiental da Usina Hidrelétrica do Bem Querer devem ser concluídos em 2023.

Ela explicou que o processo está na etapa de estudo, que tem como objetivo verificar se o empreendimento possui viabilidade técnica econômica e ambiental.

A coordenadora esclarece que a EPE realizou estudos e levantamentos que vão validar a localização e as técnicas construtivas propostas pelos engenheiros. “Serão, também, aprofundadas as avaliações para definição do custo do projeto, os impactos e seus benefícios e quem é que vai definir se esse projeto é ou não viável do ponto de vista ambiental vai ser o órgão licenciador, que nesse caso é o Ibama.

Natasha afirma que o Ibama solicita a elaboração de um estudo específico, chamado de estudo de impacto ambiental que é o estudo realizado para identificar os impactos causados pela construção e operação da hidrelétrica e também para apresentar as medidas necessárias para você evitar, mitigar ou compensar esses impactos. “E foi justamente o para o desenvolvimento desse estudo de impacto ambiental que a EPE, em 2018, contratou o consórcio formado pelas empresas Walm Engenharia e Tecnologia Ambiental e Biota Projetos e Consultoria Ambiental. Esse consórcio é composto por diferentes profissionais como engenheiros, biólogos, sociólogos, antropólogos e geógrafos. Esses profissionais vão desenvolver esses estudos e buscar responder as perguntas feitas pelo Ibama para que depois de tudo pronto o órgão possa identificar se existe ou não viabilidade para hidrelétrica”, disse.

Natasha Sodré lembra que o consórcio vem desenvolvendo uma série de pesquisas para identificação de informações existentes na região para coleta de dados diretamente em campo, com a realização de entrevistas e oficinas para identificação dos aspectos físicos e naturais, como os tipos de solo recursos hídricos plantas e animais, além de questões sociais econômicas e culturais que são relevantes para região do estudo onde se pretende implantar hidrelétrica.

“Essas informações serão utilizadas para a construção do diagnóstico socioambiental e esse diagnóstico, junto com as características do empreendimento e o conhecimento prévio dos especialistas, vão servir de base para a etapa da avaliação de impacto ambiental, proposição de programas socioambientais e entender como que funciona essa dinâmica local, incluindo fragilidades e potencialidades da região”, garante a coordenadora.

Ela explica que é muito importante compreender os impactos e também as ameaças e oportunidades que poderiam estar associadas à chegada do empreendimento. Assim, desde o início dos estudos foi estabelecido um contato direto com a população e esse contato foi feito não só através das entrevistas realizadas e levantamento de campo, mas também através do plano de comunicação e relacionamento com a sociedade.

“Por meio desse plano foi instalado o escritório local em Boa Vista para atendimento e esclarecimento de dúvidas e foi desenvolvido um site na internet para disponibilizar informações sobre o projeto e o andamento dos estudos de tudo que está sendo realizado em termos de reuniões informativas e oficinas com representantes da população local. Tudo é divulgado por meio desse site e nesse ponto eu gostaria de destacar a importância da participação da população no processo durante as oficinas de diagnóstico participativo que estão sendo realizadas desde o ano 2019 nos seis municípios localizados na área de influência do projeto”, esclarece Natasha.

A coordenadora da EPE lembra que já participaram representantes do poder público, de associações, de universidades e isso possibilita uma troca de conhecimento muito maior sobre a região que agrega ao trabalho técnico o conhecimento e a opinião da população local.

O processo de licenciamento ambiental, que foi iniciado em 2018, está na fase de conclusão dos levantamentos de campo e esses foram planejados para durar 12 meses, mas devido a pandemia causada pelo Covid-19, algumas atividades tiveram de ser suspensas para atendimento das recomendações do Ministério da Saúde, dos Estados e Municípios, visando o combate a pandemia.

“Então, a previsão atual é de que os levantamentos sejam concluídos apenas do 2º semestre de 2021 e ocorre porque alguns estudos precisam que os levantamentos sejam realizados em períodos específicos do ciclo hidrológico, como cheia, vazante, enchente e seca do rio. Concluída essa fase de levantamento de campo em 2021, são estimados outros 12 meses para consolidação e análise de todos os dados, elaboração da versão final do estudo de impacto ambiental e isso está previsto para ocorrer no final de 2022 e início de 2023”, destaca.

Natasha Sodré ressalta que outro estudo tem que ser realizado no licenciamento ambiental da usina, que é o do componente indígena, tendo em vista a especificidade do tema. Ela afirma que a EPE contratou outra empresa para execução desse estudo, que é a MRS Estudos Ambientais.

A coordenadora afirma que ainda não houve oportunidade para apresentação do plano de trabalho para as comunidades indígenas, pois o agendamento dessas reuniões deve ser feito pela Funai e somente após a realização das reuniões e mediante a obtenção da autorização dos indígenas para entrada nas suas terras é que os levantamentos de campo poderão ser iniciados.

Outro aspecto lembrado pela coordenadora diz respeito ao Sistema Interligado Nacional, por meio da linha de transmissão Manaus/Boa Vista. Natasha esclarece que esses dois projetos apresentam sinergia e contribuem para aumentar a confiabilidade e segurança no atendimento à demanda de energia em Roraima.

“Isso ocorre porque a usina será uma fonte de energia firme, na ponta de um sistema radial de transmissão final da linha Manaus/Boa Vista. Além disso, ainda que o fornecimento de energia pela União seja interrompido, ao UHE do Bem Querer terá a capacidade de suprir a demanda de energia do Estado de maneira integral na maior parte do ano e parcial no período seco, por se tratar de uma fonte renovável de energia”, explicou

Natasha diz que Bem Querer vai emitir menos gases de efeito estufa e terá um custo de produção de energia mais barato que as demais fontes de energia firme, como as usinas térmicas a óleo, por exemplo.

A coordenadora da EPE ressalta que os estudos indicam que a Usina Hidrelétrica do Bem Querer terá uma potência instalada de 650 MW o que seria suficiente para abastecer aproximadamente 1.400.000 residências. Mostram que o empreendimento terá aproximadamente três milhões de megawatts/hora, isso porque essa geração varia de acordo com o período do ano.

Outro fator mostrado pela coordenadora  é que a bacia do Rio Branco está localizada na margem esquerda do Rio Amazonas e a usina vai atingir sua capacidade máxima de produção de energia nos períodos em que as outras usinas hidrelétricas em operação no Brasil vão estar enfrentando período de seca.

Natasha explica que a UHE do Bem Querer traz benefícios não só para Roraima, como também para o sistema elétrico nacional, para o meio ambiente e também para a sociedade, porque ela vai reduzir a necessidade de acionamento de usinas térmicas para atendimento da demanda de energia nesses períodos mais secos, o que por sua vez vai implicar em menores custos de geração de energia e também menos emissões de gases de efeito estufa.

Outra informação considerada importante por Natasha é que a Usina Hidrelétrica do Bem Querer está planejada para operar a fio da água, que significa que o reservatório não tem capacidade de guardar a água de um período de cheia para gerar energia em um período de seca, como ocorre nos reservatórios de acumulação.

“Assim, a água que chegar ao reservatório vai passar pelas turbinas e vai continuar seu curso rio abaixo. Dessa forma, a capacidade de geração de energia desse empreendimento vai ser proporcional à quantidade de água disponível no rio, ou seja, vai variar ao longo do ano, sendo maior no período de cheia e menor no período de seca”, esclarece.

Por Nei Costa

Foto – Divulgação

20-03 imagem podcast

Estudo de Impacto Ambiental da UHE do Bem Querer deve ser concluído em 2023

Nesta edição, conversamos com a Natasha Sodré, coordenadora do Estudo de Impacto Ambiental da Empresa de Pesquisa Energética, responsável pelo Projeto de construção da Usina Hidrelétrica do Bem Querer.  Ela deu detalhes do estudo iniciado em 2018 com objetivo de verificar se o empreendimento tem viabilidade técnica,econômica e ambiental. Ouça a entrevista:

mecias de jesus1

Deputado e senador afirmam que Bem Querer é fundamental para o desenvolvimento de Roraima

Dentro do debate promovido pelo Fórum de Energias Renováveis de Roraima, a respeito da viabilidade da construção da Usina Hidrelétrica do Bem Querer, no rio Branco em Caracaraí, o senador Mecias de Jesus e o deputado federal Jhonatan de Jesus emitiram suas opiniões sobre o empreendimento.

O senador Mecias de Jesus afirmou que são projetos como esses que Roraima, a Amazônia e o Brasil precisam. Para ele, a energia é vital para qualquer processo de desenvolvimento e deva ser abundante, de qualidade e por um preço que o consumidor possa pagar.

Sobre os eventuais danos que podem ser causados ao meio ambiente, Mecias disse que acredita que todos os possíveis danos poderão ser reparados, compensados e recompensados. Ele afirma que a fonte de energia de hidrelétricas ainda é a mais viável economicamente e ambientalmente do mundo.

“O Brasil ainda tem muito potencial e apesar da pressão e do lobby daqueles que não querem o seu desenvolvimento, acredito que esses projetos são perfeitamente viáveis”, destacou.

O senador acredita que os impactos ambientais que esses projetos possam gerar estão sendo medidos e ele crê que agridem menos o meio ambiente que as termelétricas e até mesmo outras formas de geração de energia. “O mundo hoje conta com modernas tecnologias capazes de minimizar ao máximo os danos ambientais decorrentes de projetos dessa natureza”, lembrou.

Mecias de Jesus disse que a falta de energia também gera impacto, gera pobreza, miséria, impede o desenvolvimento de um estado e de uma nação e isso também deve ser levado em conta. “Mas é claro que esses impactos nos causam preocupação, embora acreditemos na ciência e nos estudos que são feitos e que devem comprovar a viabilidade do projeto”.

Para o senador, a construção de uma hidrelétrica e a riqueza que ela vai gerar é medida em décadas e ele tem a convicção de que esses estudos também estarão bem detalhados no projeto de viabilidade do empreendimento. Ele lembra que a história conta que a energia em quantidade e qualidade é fator primordial para desenvolver uma nação e por isso todos estão cientes de que os benefícios serão maiores e os danos mínimos.

Mecias de Jesus afirmou que está à disposição no Congresso para trabalhar em prol de todos os projetos que levem alternativas para ajudar a desenvolver o Estado. “Quero dizer, também, que o problema com geração e distribuição de energia é um entrave que impede o desenvolvimento de Roraima e que já era para ter sido resolvido há pelos 32 anos, mas que agora, com esses projetos, a esperança seja renovada”.

Já o deputado federal Jhonatan de Jesus disse que está contente com a discussão sobre a retomada desse projeto e adiantou que os possíveis danos ambientais serão estudados corretamente. “Acredito ser viável tanto do ponto de vista econômico como ambiental”.

Para Jhonatan, o Estado e a iniciativa privada têm que fazer o possível para que esses projetos continuem dando certo até que não existam mais usinas termelétricas, que são poluentes. “Por mais que as matrizes energéticas sejam bastante diversificadas hoje, as hidrelétricas ainda são bastante viáveis. É logico que tudo bem estudado, nos mínimos detalhes, para que os danos ambientais sejam os menores possíveis”.

O deputado disse que os impactos ambientais devem ser estudados com  prioridade, devem ser apresentadas alternativas para reduzi-los, ”mas no nosso entendimento eles não devem ser obstáculos e impedimentos para que uma hidrelétrica seja construída”, opinou.

“Pior é não ter a energia ou depender de outras fontes, mais caras e mais poluentes. Acredito que embora existam outras fontes viáveis, o Brasil ainda comporta a construção de várias hidrelétricas”, afirmou o deputado.

Jhonatan de Jesus disse que estará sempre disposto a colaborar com o que for possível para que projetos que objetivem desenvolver Roraima saiam do papel.

Por Nei Costa

Foto – Assessoria