Gerente do Basa (Banco da Amazônia S.A), em Roraima, André Pereira (Foto: Diane Sampaio/FolhaBV)

Aumenta procura em banco para financiar projetos de energia solar

Enquanto não se resolve o imbróglio sobre a vinda de uma energia confiável para o Estado, através do Linhão de Tucuruí, alguns consumidores buscam alternativas para fugir das altas taxas na cobrança de energia praticadas no Estado. Uma destas alternativas é a execução de projetos de energia isolar, ou fotovoltaicas.

Segundo o gerente do Basa (Banco da Amazônia S.A), em Roraima, André Pereira, o número de pessoas que procuram a agência em busca de crédito para financiar projetos de energia solar tem aumentado nos últimos meses. O limite para este tipo de contrato para energia solar varia de 10 a 100 mil reais.

“Abrimos o crédito em outubro do ano passado e desde e então aparecem em média duas ou três pessoas por dia em busca de crédito para instalar energia solar em suas casas. Isso dá uma média de 60 pessoas por mês, o que é uma boa média para o Estado”, disse.

Porém, ele citou um problema que vem dificultando o fechamento de contratos do banco com os clientes.

“O Banco está embarrando na contrapartida do contratante que é de 20% do valor global do projeto. O Basa financia 80% do valor e o cliente, pessoa física, tem que dar entrada de 20% do valor do projeto, e isso tem impactado na hora de fechar contrato, o que não se concretizou em nenhum contrato assinado até o momento”, disse.

Por outro lado, o gerente informou que as taxas de juros, o prazo estendido e a carência para pagamento da primeira parcela têm chamado são atrativos para os clientes.

“As taxas de juros são baixas, em relação ao mercado financeiro, e são diferenciados para pessoas físicas e jurídicas. Para pessoa física está em 4,62% ao ano para projetos até R$ 50 mil e de 4,91% para projetos entre 50 e 100 mil reais”, disse. “O período de contrato vai até oito anos e com seis meses de carência para começar a pagar”, disse.

Já para pessoa jurídica – empresas -, o valor das taxas de juros, que sempre são projetos de valores altos, a taxa passa a ser de 5,91% ao ano”, afirmou.

Quanto ao passo a passo para a pessoa física ter acesso ao crédito, André Pereira falou que a documentação necessária é a mesma para abrir uma conta na agência, que são os documentos pessoais de CPF, Registro Geral (Identidade), comprovante de renda e de residência, se for casado, tem que levar os documentos pessoais do cônjuge e a certidão de casamento.

“Com a documentação abrimos a conta e estimamos o limite de crédito para o cliente de acordo com sua faixa de renda, patrimonial e cadastral”, disse. “Na prática, hoje, os orçamentos estão na faixa de 30 a 60 mil reais”, afirmou.

Ele explicou que, no geral, as pessoas já trazem um pré-projeto com estimativa do valor de financiamento. Outras procuram o banco e depois de estimada a linha de crédito, vão buscar empresas de projetos para estimar valores.

“Os projetos e orçamentos vão variar de acordo com a quantidade de equipamentos eletroeletrônicos que tem na casa para poder definir a quantidade de placas necessárias, de fios e acessórios para executar o projeto”, disse. “Porém o ideal, para não se perder tempo, é que as pessoas já venham nos procurar com uma estimativa de valor que vai precisar para o projeto”, afirmou. “Depois de aprovado no banco e instalado o projeto, precisa ainda da aprovação da Roraima Energia, o que pode levar até seis meses para poder começar a funcionar”, complementou.

Quanto aos valores que estão direcionados para financiamento de energias alternativas – não só para energia solar, mas também para energia eólica, biomassa, biocombustível e hidroelétrica, está em torno de RR 500 milhões somente neste ano através do FNO (Fundo Constitucional de Financiamento do Norte).

“Isso não quer dizer que só tenhamos este valor à disposição, o Basa trabalha com financiamento em várias frentes de energia alternativas, prova disso é que fizemos recentemente um contrato de um bilhão de reais com uma empresa para exploração de gás para transformar em energia para abastecer o Estado de Roraima”, disse. “Dependendo do projeto apresentado podemos superar os 500 milhões previstos e já começamos o ano com um investimento de um bilhão de reais”, afirmou.

FÓRUM – O gerente André Pereira disse que o Basa faz parte de um Fórum Estadual permanente que debate energias alternativas em Roraima. Além do Basa, participam outras instituições financeiras, órgãos ambientais, empresas ligadas ao tema, Governo do Estado e Prefeituras.

“O Fórum foi constituído no ano passado e acontece de maneira permanente; e já tivemos vários encontros de técnicos da área e de autoridades para dirimir as dúvidas e alinhar divulgação dos projetos de energias alternativas de forma a estimular pessoas físicas e jurídicas a ter acesso a energias limpas”, disse.

Ele citou que há o planejamento para criar atendimento diferenciado para os pretensos usuários. “Estamos conversando e vendo alternativas de oferecer o produto em outros órgãos e entidades, como no programa Desenvolve Roraima, que já tiverem um banco de dados de clientes, e com isso facilitar o acesso às pessoas”, concluiu.

Especialista fala em vantagens e desvantagens da energia solar

À Folha, o engenheiro civil, Rodrigo Edson Castro Avila, professor na faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Estácio, falou sobre as vantagens e desvantagens de se ter um sistema de energia alternativa fotovoltaica ou de placas solares, como é mais conhecida.

Ele definiu que placas solares como um sistema para captação de raios do sol e posterior geração de energia que tem como principais vantagens produzir energia limpa, abundante e renovável. Ele destacou que as desvantagens são os valores para execução dos projetos, ainda considerado altos atualmente.

“Com o constante aumento da energia no Brasil, e em Roraima, e a quantidade inesgotável dessa fonte, acaba sendo uma excelente alternativa para nós, boa-vistenses”, disse. “Já as desvantagens atuais são o custo ainda alto e a burocracia para instalação do sistema. Outra desvantagem é a descontinuidade do sistema, pois a energia gerada tem que ser automaticamente consumida, já que as baterias atuais são caras e guardam pouca energia. Portanto, o sistema tem que ser utilizado junto com outras fontes”, disse.

Quanto ao custo médio de investimento para executar um projeto, Rodrigo Ávila fez um comparativo médio.

“O custo depende da quantidade de equipamentos (eletrodomésticos) que deseja que o sistema comporte. No entanto o custo é diluído com a redução na conta de energia, dando retorno em alguns anos para o usuário”, disse. “Mas posso citar, como exemplo, uma família que tem uma conta média de R$ 500,00 /mês; o custo do sistema, segundo levantamento em lojas locais, é de aproximadamente R$ 32 mil, ou seja, em cinco anos o sistema é pago”, afirmou.

Sobre que procedimentos a pessoa deve ter para iniciar e concluir um projeto de energia solar, o engenheiro informou que depende do sistema a ser implantado. Mas explicou como acontece a geração de energia.

“Durante o dia a energia que é gerada em excesso é “comprada” pela concessionária, no caso de Roraima, a Roraima Energia. Esse crédito é usado para diminuir no valor da energia adquirida à noite ou quando estiver nublado”, disse. “Já para elaborar o projeto e instalar o sistema, oriento que procure um profissional devidamente habilitado. O projeto deve ser apresentado junto à concessionária de energia e quando aprovado autoriza a implantação dos equipamentos”, afirmou.

“O sistema de placas solares é simples de se instalar e pode ser implantado em qualquer unidade, seja residencial, comercial ou institucional. Além de que pode ser implantado em prédios já construídos sem necessidades de grandes intervenções”, concluiu.

Fonte Ribamar Rocha, da Folha de Boa Vista

Emerson Baú e Conceição Escobar no programa Agenda da Semana, da Rádio Folha (Foto: Diane Sampaio/FolhaBV)

Energia de fonte renovável cresce em RR, dizem especialistas

Desde o final do ano passado, Roraima passou a contar com o Fórum de Energias Renováveis, uma organização da sociedade civil para discutir propostas de políticas públicas e do desenvolvimento energético no Estado, de forma sustentável. A avaliação é que o investimento em energia renovável tem crescido exponencialmente em todo o país, inclusive em Roraima. [Confira, no vídeo abaixo, entrevista na íntegra].

https://www.facebook.com/radiofolha/videos/2340317719593926/

A informação é da presidente da Associação Brasileira dos Engenheiros Eletricistas em Roraima e Representante no Fórum, Conceição Escobar, e do titular da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), Emerson Baú, em entrevista ao programa Agenda da Semana, na Rádio Folha 100.3 FM, neste domingo, 16.

A presidente da Associação ressalta que embora ocorra esse crescimento de pequenos geradores de energia, ainda falta muito para que sobre geração de energia. Atualmente a geração de Roraima gira em torno de 240 a 300 megawatts.

“Os pequenos geradores têm crescido exponencialmente. Mas, mesmo crescendo dessa maneira, o regime de energia gerada ainda está no percentual de 1% a 2% da matriz nacional”, explica.

Conceição ressalta que mesmo se todas as empresas do ramo de energia renovável se juntassem e pudessem, em conjunto, gerar mais de 300 megawatts, não haveria perda do excedente, mesmo considerando que Roraima é um sistema isolado.

Isso, por conta do controle promovido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e das concessionárias distribuidoras do ramo. “Os produtores individuais têm que apresentar seu projeto para empresa concessionária distribuidora. Alguém tem que ter o controle. É complexo, mas alguém tem que controlar. Alguém tem que comprar. E compra e venda de energia só é feito por meio de leilão, que é regulado pela Aneel”, completa a presidente.

“Enquanto sociedade civil defendemos a geração do pequeno produtor por não termos essa coordenação macro. Se o Linhão de Tucuruí não sair, nós temos que procurar outras formas. Não podemos é ficar no escuro”, complementa Conceição.

Emerson Baú, que é empresário que investiu no ramo da energia solar, afirma que o aumento da demanda se dá por conta das vantagens da energia alternativa, dentre elas o econômico. Ressaltou ainda que instituições financeiras estão inclusive oferecendo financiamentos para os interessados em investir na energia renovável, o que também facilita.

“Fizemos um investimento na parte da energia solar e percebemos que comercialmente vale a pena. Por exemplo, o valor que seria pago à cobrança mensal pode ser dado ao financiamento. Além de pensar na própria questão ambiental e as características do Estado que tem uma fonte de luminosidade intensa, que proporciona essa chance de investir na energia solar”, afirmou.

ENERGIA RENOVÁVEL – Segundo o Portal Solar, as fontes de energia renováveis são provenientes de recursos naturais continuamente reabastecidos em uma escala de tempo humana. Entre fontes renováveis estão a energia do sol, dos ventos, da água, das marés, de materiais orgânicos e do calor da terra.

As energias renováveis são as energias resultantes dos recursos naturais que se renovam, portanto, energias inesgotáveis. Entre as energias renováveis estão a energia solar, hidráulica (ou hidrelétrica ou hídrica), eólica, maremotriz, geotérmica e a biomassa (como substituta do petróleo de combustíveis).

Fonte: Paola Carvalho, da Folha de Boa Vista 

Ricardo Lima, consultor do Fórum - Foto - J.Pavani

Roraima e demais sistemas isolados custam ao Brasil cerca de R$ 7 bi anuais

O estado de Roraima e os demais sistemas isolados da Amazônia custam aos consumidores brasileiros cerca de R$ 7 bilhões por ano, valor esse subsidiado pelo governo federal. Esse é o custo das usinas termelétricas abastecidas por óleo diesel, que além de caro é altamente nocivo ao meio ambiente.

O consultor do Fórum de Energias Renováveis de Roraima, Ricardo Lima, especialista em regulação do setor elétrico, explicou que o serviço de energia elétrica é, no Brasil, aquele que apresenta o maior grau de universalização, com 99,8% dos domicílios atendidos. Nenhum outro serviço tem tal cobertura.

“No entanto, para atender algumas regiões, localidades, comunidades, sem falarmos dos 0,2% restantes, o Brasil enfrenta algumas dificuldades em situações específicas, que são caras e até mesmo ambientalmente agressivas. Exemplos não faltam. O ONS, Operador Nacional do Sistema Elétrico, tem cadastrados 237 usinas de geração, a maioria a diesel, no chamado Sistema Isolado (isto é, não conectado ao Sistema Interligado Nacional, ou seja, ao grande sistema de transmissão existente no país). Esses sistemas, com apenas 449 MW médios, menor que uma simples turbina de Itaipu, geram por ano menos de 4.200 GWh, mas custam em subsídios de cerca de R$ 7 bilhões. Vale lembrar que quase todas essas comunidades e áreas encontram-se na região Norte do país”, lembrou Ricardo.

O consultor disse que como o custo de geração desses sistemas é muito superior à tarifa das distribuidoras da região, os consumidores do restante do país pagam, através da CDE (Conta de Desenvolvimento Energético), a diferença entre o custo de geração médio e o custo de geração diesel (que pode chegar a R$ 2.000/MWh).

Para ele, é justo que os consumidores dessas comunidades e regiões tenham acesso a energia a preços competitivos. O estado de Roraima, por exemplo, ainda não está conectado eletricamente ao restante do país e depende, para o atendimento de suas necessidades de energia, da cara e poluente geração a diesel.

Adicionalmente a esses sistemas, existem ainda comunidades que nem dispõem do mínimo em suprimento de energia, como comunidades de pescadores, aldeias indígenas e outros. “Estes são os dois décimos de por cento ainda não atendidos”.

Ricardo afirma que as regiões onde encontram-se essas comunidades são ricas em recursos energéticos renováveis, seja vento, sol, hidráulicos ou biomassa. Vide o caso de Roraima, cujo potencial energético em sol, vento e rios é enorme.

“Uma oportunidade para equacionar essa questão de maneira estrutural, aproveitando o debate atual sobre a revisão da regulamentação da geração distribuída e, ao mesmo tempo, reduzir os encargos da CDE no tempo, foi a proposta encaminhada pelo Fórum de Energias Renováveis de Roraima à Consulta Pública realizada pela ANEEL”, revelou o consultor.

O Fórum, segundo Ricardo, propôs que os benefícios atuais oferecidos à geração distribuída fossem mantidos para os sistemas isolados, sendo a diferença de custo suportada pela CDE, uma vez que essa geração reduz a geração diesel, que emite mais de 3,2 milhões de toneladas de CO2/ano e, que comparativamente ao custo da geração renovável reduziria significativamente as necessidades de subsídio da CDE.

Ricardo explica que esta é uma forma de incentivo à energia renovável e sustentável, em substituição à cara e poluente geração diesel, com benefícios evidentes de redução nos pesados subsídios que recaem sobre os consumidores de energia elétrica de todo o país, sem causar danos a outros segmentos de consumidores.

Publicado pela Folha de Boa Vista

https://folhabv.com.br/noticia/CIDADES/Capital/RR-e-demais-sistemas-isolados-custam-ao-Brasil-cerca-de-R–7-bi-anuais/62600