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Consórcio esclarece dúvidas a respeito da viabilidade da Usina do Bem Querer

O consórcio formado pelas empresas Walm Engenharia e Tecnologia Ambiental e Biota Projetos e Consultoria Ambiental, contratado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) para fazer os estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental da Usina Hidrelétrica do Bem Querer explicou que todo o processo está na etapa de estudos e tem como objetivo verificar se o empreendimento é viável ou não.

De acordo com Natasha Sodré, da EPE – Empresa de Pesquisa Energética, coordenadora dos EIA/RIMA da UHE Bem Querer, estudos e levantamentos estão sendo realizados e esses vão validar a localização e as técnicas construtivas propostas pelos engenheiros, e também aprofundar as avaliações para definição do custo do projeto, os impactos e seus benefícios. Quem vai definir se esse projeto é ou não viável do ponto de vista ambiental vai ser o órgão licenciador, que nesse caso é o Ibama.

Natasha Sodré explica que é o Ibama quem solicita a elaboração de um estudo específico, chamado de estudo de impacto ambiental, que é realizado para identificar os impactos causados pela construção e operação da hidrelétrica e também para apresentar as medidas necessárias para evitar mitigar e ou compensar esses impactos.

A coordenadora esclarece que esse consórcio é composto por diferentes profissionais como engenheiros, biólogos, sociólogos, antropólogos e geógrafos e eles vão desenvolver esses estudos e buscar responder as perguntas feitas pelo Ibama para que depois de tudo pronto o órgão possa identificar se existe ou não viabilidade para a construção da hidrelétrica.

Natasha explica que as empresas vêm realizando uma série de pesquisas para identificação de informações existentes na região, a fim de coletar dados diretamente no campo. Também vem realizando entrevistas e oficinas para identificação dos aspectos físicos e naturais, como os tipos de solo, recursos hídricos, plantas e animais, além de questões sociais, econômicas e culturais que são relevantes para região do estudo onde se pretende implantar a hidrelétrica. Essas informações serão utilizadas para o conhecimento prévio dos especialistas e vão servir de base para etapa da avaliação de impacto, proposição de programas socioambientais, entender como que funciona essa dinâmica local, incluindo fragilidades e potencialidades da região.

“É muito importante para a gente compreender os impactos e também as ameaças e oportunidades que poderão estar associados à chegada do empreendimento. Assim, desde o início dos estudos foi estabelecido um contato direto com a população e esse contato foi feito não só através das entrevistas realizadas, mas também através do plano de comunicação e relacionamento com a sociedade. Foi por meio desse plano que foi instalado o escritório local do Consórcio em Boa Vista, para atendimento e esclarecimento de dúvidas. Também foi desenvolvido um site na internet para disponibilizar informações sobre o projeto e o andamento dos estudos. Tudo que está sendo feito em termos de reuniões informativas e oficinas com representantes da população local é divulgado por meio desse site”, adiantou a coordenadora.

Outro fator importante nesse período do processo, segundo Natasha Sodré, é a participação da população no processo durante as oficinas de diagnóstico participativo que estão sendo realizadas desde o ano passado nos seis municípios localizados na área de influência do projeto. Já participaram representantes do poder público, de associações de universidades e isso possibilita uma troca de conhecimento muito maior sobre a região e agrega ao trabalho técnico o conhecimento e a opinião da população local.

Ela explica que o processo está na fase de conclusão dos levantamentos de campo que foram planejados para durar 12 meses. Devido a pandemia causada pelo covid-19 algumas atividades tiveram que ser suspensas para atendimento das recomendações do Ministério da Saúde, dos Estados e Municípios, visando o combate da pandemia. “Então a previsão atual é a de que os levantamentos sejam concluídos apenas do 2º Semestre de 2021 e isso ocorre porque alguns estudos precisam que os levantamentos sejam realizados em períodos específicos do ciclo hidrológico, como cheia, vazante, enchente e seca do Rio. Concluída essa fase de levantamento de campo em 2021, são estimados outros 12 meses para consolidação e análise de todos os dados, elaboração da versão final do estudo de impacto ambiental e isso está previsto para ocorrer no final de 2020 até o início de 2023”.

Outro estudo que também tem que ser realizado no licenciamento ambiental da usina é o do componente indígena, tendo em vista a especificidade do tema. Para isso, esclarece Natasha, contratou-se outra empresa para execução desses estudos ambientais. “No entanto, ainda não houve oportunidade para apresentação do plano de trabalho para as comunidades indígenas, pois o agendamento dessas reuniões deve ser realizado pela Funai e somente após a realização das reuniões e mediante a obtenção da autorização dos indígenas para entrada nas suas terras é que os levantamentos de campo poderão ser iniciados”.

Depois de pronta A UHE do Bem Querer vai ser conectada à subestação Boa Vista e depois ao Sistema Interligado Nacional, por meio da linha de transmissão Manaus Boa Vista. A coordenadora explica que esses dois projetos apresentam sinergia e contribuem para aumentar a confiabilidade e segurança no atendimento da demanda de energia em Roraima. Isso ocorre porque a usina será uma fonte de energia firme, na ponta de um sistema do linhão Manaus Boa Vista.

Além disso, mesmo que o fornecimento de energia do linhão seja interrompido, a UHE do Bem Querer vai ter a capacidade de suprir a demanda de energia do Estado de maneira integral na maior parte do ano e parcial no período seco por se tratar de uma fonte renovável de energia.

Natasha Sodré afirma que Bem Querer emitirá menos gases de efeito estufa e terá um custo de produção de energia mais barato que as demais fontes de energia firme, como as usinas térmicas a óleo, por exemplo.

A coordenadora ressalta que a UHE do Bem Querer terá capacidade de produzir 650 MW de energia o que serão suficientes para abastecer aproximadamente 1.400.000 residências. A geração varia de acordo com o período do ano, pois há anos mais secos, e como a bacia do Rio Branco está localizada na margem esquerda do Rio Amazonas, a usina vai atingir sua capacidade máxima de produção de energia nos períodos em que as outras usinas hidrelétricas em operação no Brasil vão enfrentar período de seca, ou seja, elas vão estar com sua capacidade de geração de energia reduzida.

Segundo Natasha, essa alternância no período de produção de energia entre as usinas traz benefícios para o sistema elétrico nacional, para o meio ambiente e também para a sociedade, porque ela vai reduzir a necessidade de acionamento de usinas térmicas para atendimento à demanda de energia nesses períodos mais secos, o que por sua vez vai implicar em menores custos de geração de energia e também menos emissões de gases de efeito estufa.

Outra informação importante sobre a Usina Hidrelétrica Bem Querer, continua, é que ela está planejada para operar a fio da água, que significa que o reservatório não tem capacidade de guardar água de um período de cheia para gerar energia em um período de seca como ocorre nos reservatórios de acumulação. Em Bem Querer a água que chegar ao reservatório vai passar pelas turbinas e vai continuar seu curso rio abaixo. Dessa forma, a capacidade de geração de energia desse empreendimento vai ser proporcional à quantidade de água disponível no rio, ou seja, ele vai variar ao longo do ano, sendo maior no período de cheia, mais água mais geração, e menor no período de seca.

Natasha Sodré conclui informando que o projeto está na fase de levantamento de campo e de informações para elaboração do diagnóstico socioambiental e que a fase de avaliação de impactos ambientais e sociais vai ser na sequência. Somente após a finalização desses levantamentos é que vai ser possível fazer uma avaliação mais embasada dos impactos que o empreendimento terá sobre os componentes ambientais e sociais, e isso acontece porque apesar dos principais impactos gerados por uma hidrelétrica serem conhecidos como a atração populacional durante as obras e a perda de vegetação causada pela formação do reservatório, a intensidade e a abrangência desses impactos vão variar de acordo com a região onde os projetos serão implantados.

“Por isso é importante realizar um estudo de impacto ambiental para caracterização da região e também para quantificar e qualificar os impactos, como o número de pessoas e atividades econômicas afetadas pelo empreendimento quando concluído. O estudo também irá indicar as ações necessárias para reduzir ou compensar esses impactos”, finalizou.

Por Nei Costa

Foto – Divulgação

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