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Energia com biocombustível do óleo de palma em Rorainópolis é aposta para 2021

A utilização do biocombustível a partir do óleo de dendê (óleo de palma) para a geração de energia no estado de Roraima é um dos projetos em andamento para viabilizar o suprimento no único estado não interligado ao restante do país. O projeto vencedor do leilão realizado em 2019 pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) é do grupo Oleoplan, e está sendo realizado através da subsidiária Palmaplan Agroindustrial, e prevê a geração de 10,976 MW de energia por meio de usina termoelétrica movida a biocombustível que está prevista para entrar em funcionamento em julho de 2021. Para que o projeto fosse possível a empresa investiu na plantação de palma de dendê na Vila do Equador, em Rorainópolis sul do estado. São 2 mil hectares próprios e mais 300 hectares em parceria com agricultura familiar, sendo em média de 143 plantas por hectare.

O gerente administrativo da Palmaplan, Alexandre Borba, diz que a plantação de palma para extração de óleo começou em 2008, e hoje a colheita é feita diariamente por cerca de cem funcionários, de um total de 210 colaboradores. O investimento para extração de óleo de palma é de longo prazo. “Temos como fornecedores de sementes a Colômbia e a Embrapa. Quando recebidas elas ficam 4 meses no pré- viveiro e depois mais oito meses em viveiro, após esse período está pronta para ser plantada. A partir do terceiro ou quarto ano pode ser colhida para a indústria (cacho comercial)”, explicou Alexandre. A indústria para extração do produto está funcionando desde o mês de dezembro de 2019, e já foi possível encher três tanques de 500 mil litros de óleo bruto.

Enquanto a termelétrica de Rorainópolis não entra em operação, todo o óleo que já foi extraído está no estoque da empresa na Bahia. “Para queimar óleo bruto já existem motores próprios, no nosso caso os dois motores que a gente comprou estão sendo construídos na Finlândia, já que no Brasil não é feito esse tipo de motor que gere energia a partir do óleo vegetal. Temos uma indústria de esmagamento para extração do óleo de palma, com capacidade de 12 toneladas por hora de cacho de fruta fresco. Quando a termelétrica começar a funcionar, todo o óleo bruto coletado vai ser transportado aqui da fazenda por 100 km até Rorainópolis para queimar e gerar energia, que vai ser utilizada por Roraima” destacou.

Além ser uma fonte de energia renovável e menos prejudicial ao meio ambiente, a produção de óleo vegetal para o biocombustível tem impactos na economia com a geração de emprego para os agricultores que decidem investir no negócio. Em Roraima, desde 2011 as famílias começaram a ser incluídas no projeto plantando uma média de 6 a 10 hectares, atualmente são 30 famílias ativas colhendo todo mês, com contrato de extração e recebendo todos os meses pelo trabalho desenvolvido no campo.

Alexandre Borba destaca ainda o potencial do Estado para a plantação da palma de dendê. “Fizemos um investimento grande aqui, e posso dizer com segurança que a Vila do Equador, no sul do estado, é uma das melhores regiões do mundo para plantar palma porque recebemos chuvas durante o ano todo. Essas precipitações são boas para o dendê, e temos como resultado uma produtividade agrícola excelente” finalizou.

 

Foto: Enerplan

Por Thamy Dinelli

 

 

 

 

 

 

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