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Integrantes do Fórum debatem sobre incentivos à geração de energias renováveis

Os integrantes do Fórum de Energias Renováveis de Roraima vem debatendo proposições da sociedade civil para acelerar a transição energética de Roraima, rumo a uma matriz diversificada baseada nas energias limpas. Com a previsão do leilão de fornecimento de energia aos sistemas isolados em 2021, que prioriza as energias renováveis para 23 localidades da região norte, a discussão do tema animou as discussões.

“Para Roraima, o Leilão dos Sistemas Isolados sinaliza soluções de atendimento para o suprimento de energia elétrica dos Municípios de Amajari, Pacaraima e Uiramuta. Mesmo podendo o suprimento ser feito por gás natural, o leilão prioriza as fontes renováveis. Isso significa um esforço para a diversificação da matriz elétrica com recursos energéticos renováveis e sustentáveis para Roraima, o que representa o anseio da sociedade local”, pontuou Conceição Escobar, integrante do Fórum.

Ciro Campos, integrante do Fórum e representante do movimento Puraké, explicou que o leilão traz para os municípios do interior uma boa oportunidade de limpar a sua matriz de energia. “O fornecimento de energia no interior é constituído basicamente por geradores a diesel. Mesmo priorizando fontes de energias limpas, é permitida a entrada de fontes com combustível fóssil. Estamos debatendo e torcendo para que as condições do edital sejam favoráveis para a entrada da energia solar, eólica e outras fontes limpas”.

Para Ygor Logullo, também integrante do Fórum, é necessário que haja orientação para a população, por parte do poder público, principalmente o Governo Federal. Ele menciona que é preciso incentivar estudos e pesquisas sobre essas fontes renováveis aqui no estado, pois faltam dados. Dados que demonstrem que essas fontes, de fato, são mais vantajosas e que mostrem os efeitos negativos de outras fontes de geração de energia.

“Entre as soluções pensadas anteriormente está especificamente a construção da hidrelétrica do Bem Querer. Essa foi uma decisão tomada na década de 90, quando existia outro contexto, com menos opções tecnológicas. Uma decisão tomada a partir de critérios, atributos e dados que se tinha naquela época. Mas as tecnologias evoluíram, os dados atuais são muito mais precisos e interpretam melhor quais seriam os possíveis riscos que enfrentaríamos com a decisão por essa hidrelétrica”, lembrou Ygor.

Ele ressalta que existe uma grande preocupação com os impactos ambientais e sociais com a construção de uma hidrelétrica e o mais viável seria incentivar estudos e pesquisas independentes ou em universidades, para que se pudesse mensurar melhor os riscos e critérios. “Os estudos poderiam estruturar o problema de forma sistêmica e considerando a complexidade inerente, que envolve diversos atores e interesses que podem impactar as vidas de muitas pessoas, assim como a fauna e a flora. São fatores que a gente não consegue ainda estimar” disse Logullo.

Para Ygor, com o poder público incentivando estudos para que esse olhar consiga se sobrepor ao problema, dando informações e dados suficientes para a tomada  de decisão, ele acredita que se consiga ter uma maior tendência para a priorização da geração da energia solar ou eólica, fontes renováveis com impactos muito menores. “Outro critério importante é a questão econômica. Os estudos também devem considerar o avanço da tecnologia e a redução dos custos do armazenamento eletroquímico da energia elétrica”, comentou.

Somente com o fomento à pesquisa será possível definir melhor o problema, os critérios e os atributos para saber quais dados são necessários coletar, propiciando orientar mais adequadamente o planejamento energético de Roraima.

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