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Pesquisador da Embrapa fala sobre a biomassa como alternativa para a produção de energia

O chefe-geral da Embrapa Roraima, o pesquisador Otoniel Ribeiro Duarte, disse que há alguns anos pesquisa a utilização da biomassa de inajá para a produção de energia em Roraima. Ele afirmou que os estudos estão bem adiantados, mas que ainda não é possível afirmar que esse processo pode suprir a demanda de energia do Estado.

Otoniel explicou que a produção de energia a partir da biomassa é um processo muito utilizado em vários pontos do mundo, e que se trata de uma alternativa de geração que pode ser consorciada à outras fontes, como energia solar ou eólica, para ser ter uma matriz energética eficiente e segura.

Ele explicou que biomassa, como o próprio nome diz, trata-se vida (bio) e massa, que é o volume de material sólido, líquido ou gasoso para geração de energia, e também os resíduos, como esterco produzido por animais. “Tudo isso provém de uma massa viva. Então você usa o esterco para geração de gás, o biogás. O esterco fresco (normalmente é usado de bovinos e de suínos que existe em maior volume) vai para um biodigestor e vai fermentar e se transformar em gás que tem alto poder de combustão, pois é rico em metano. Esse produto vai ser utilizado como fonte de energia”.

O pesquisador esclareceu que muitas plantas, principalmente as oleaginosas, como o girassol, soja e outras produzem o biocombustível, biodiesel que é usado para geração de energia. “Temos várias plantas que são utilizadas para esse fim. O milho, o algodão, a soja, o girassol, o cacau, o amendoim, a canola, castanha do Pará, o abacate, o coco, o dendê e no caso de Roraima o inajá. O dendê entre todas as que eu citei é a que tem a maior produção de óleo por hectare, produzindo de 5000 a 6000 litros em média, por hectare”.

Otoniel citou as algas, que são extremamente promissoras, pois numa área de um hectare se produz  até mais de 100 mil litros de óleo. “O problema é que a tecnologia está muito restrita ainda e quem domina essa tecnologia são empresas particulares, pois se trata de conhecimento estratégico”.

O pesquisador vê com otimismo essa diversidade de plantas que produzem óleo e a queima do material seco, como madeira e restos de folhas das próprias plantas, além dos gases oriundos dos estercos, que também podem ser misturados com vegetal para esse composto gerar gás. “Hoje, na suinocultura principalmente, estados como Santa Catarina e Paraná estão usando muito. Os grandes produtores de suínos utilizam as fezes dos animais. Os biodigestores são bolsas gigantes onde é canalizado o esterco que gera gás, que gera energia para sustentar as propriedades só com gás que elas mesmo produzem. É energia que vai para a rede elétrica nacional. Então nós temos diversas fontes de biomassa que é proveniente de organismos vivos, vegetais e animais, que de qualquer forma geram energia”.

No caso de Roraima, continua Otoniel, a grande vantagem na produção de biomassa é a posição geográfica junto à linha do Equador. O Estado tem uma quantidade grande de luz, incidência solar muito grande, maior que nas outras regiões o que provoca nas plantas oleaginosas o que se chama de estresse luminoso. “A planta submetida ao estresse luminoso que é o estresse provocado pelo excesso de luz acumula mais óleo na semente para ela ter mais reserva de óleo. Isso garante a geração de uma nova planta, que em estresse sempre se coloca nessa posição de perpetuar a espécie. E no caso das oleaginosas, a estratégia dela é acumular óleo que é a energia que vai garantir o sustento da semente para gerar uma nova planta. Então, todas as oleaginosas como girassol, amendoim, soja, mamona, inajá e dendê em Roraima tem um teor de óleo maior que em outras regiões. Isso faz com que a produção de óleo seja maior aqui, o que é uma grande vantagem”, destaca.

A Embrapa Roraima concentrou seus estudos na produção do Inajá, que é uma planta nativa e um grande problema para os pecuaristas, pois é considerada uma invasora nas pastagens.

O inajá tem uma característica de nascer na pastagem quando passa o fogo que queima toda a vegetação e afeta o solo até certa profundidade, cerca de cinco centímetros. A semente do Inajá nasce em uma estrutura que vai até 23 cm de profundidade; Por isso o fogo não queima essa semente. Quanto mais fogo passar, mais ela se torna endêmica na área.

“Já descobrimos que o inajá tem capacidade de produzir até 3.900 litros de óleo por hectare. Essas populações que eu estudei estão concentrados nos municípios de Iracema e Mucajaí. Todo esse potencial é sem melhoramento genético. O dendê, com 60 anos de melhoramento genético e todo um trabalho de sistemas de produção a produção é de até 6.000 litros de óleo. Olha o potencial que tem o inajá”, relatou.

Otoniel acredita que com investimento e mais estudos é possível identificar materiais promissores, fazer o plantio e tornar ela uma cultura de alta produtividade.

O chefe da Embrapa lembra que hoje na matriz de produção de biodiesel, a soja responde por 70% a 80% do biodiesel brasileiro. Porém, a soja é alimento nobre, tanto para uso humano quanto para a produção de ração animal. “Já o Inajá não é um alimento, como as microalgas também não são. “Assim, não deixamos de produzir alimento para produzir combustível”. A nossa concentração de estudos está no inajá, que sem sombra de dúvida é extremamente promissor.

Ele explica que a vantagem do inajá em relação ao dendê é que o dendê é africano e o inajá é uma planta nativa. O dendê tem espinhos e o inajá não. “Por isso o inajá tem toda uma cadeia de animais ligada a ela como macacos, araras, papagaios, antas, entre outros. Assim, você está preservando o meio-ambiente. Nossa preocupação é produzir energia, impactando menos possível o meio ambiente”, explicou Otoniel.

Por Nei Costa

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