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Você é a favor ou contra a construção da Usina Hidrelétrica do Bem Querer?

A Usina Hidrelétrica do Bem Querer deverá ter capacidade de geração de 650 MW, reservatório com extensão de 150 km de extensão e área de 520 km2, e será construída nas corredeiras do mesmo nome no rio Branco, município de Caracaraí.

Os estudos estão sendo coordenados pela Empresa de Pesquisa Energética – EPE, ligada ao Governo Federal. O projeto está na etapa dos estudos de viabilidade técnica, econômica e socioambiental. A expectativa de geração anual de energia da UHE do Bem Querer é de 3 milhões de MWh.

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Pesquisador da Embrapa destaca estudos feitos para produção de energia a partir da Biomassa

A produção de energia a partir da Biomassa é o tema do nosso podcast desta semana. O pesquisador e chefe-geral da Embrapa Roraima, Otoniel Duarte, conversou com a gente sobre o potencial de produção no estado e os estudos feitos na área.

 

Ouça a entrevista:

grafico energia

Biomassa como fonte de produção de energia tem grande potencial de crescimento, garante a Aneel

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) fez uma série de estudos que identificaram a biomassa como uma das fontes para produção de energia com maior potencial de crescimento nos próximos anos. A Aneel considera a biomassa como uma das principais alternativas para a diversificação da matriz energética e a consequente redução da dependência dos combustíveis fósseis.

Por meio da biomassa é possível obter energia elétrica e biocombustíveis, como o biodiesel e o etanol, cujo consumo é crescente em substituição a derivados de petróleo como o óleo diesel e a gasolina.

No Brasil, em 2018, a geração de energia da biomassa chegou a pouco mais de 14MW, superando a geração de Itaipu e o equivalente a 9% do parque elétrico do Brasil.

No Brasil, a biomassa é a terceira maior fonte de geração de energia em 2018, de acordo com dados do Ministério de Minas e Energia (MME). Ela vem após a hidráulica e a queima do gás natural na matriz elétrica.

Existem fontes de biomassas que estão disponíveis sempre que necessário, e outras que possuem disponibilidade sazonal em período coincidente com baixos regimes hidrológicos, quando há maior necessidade de geração termelétrica.  Em alguns casos, os insumos a biomassa podem ser armazenados para utilização em momento oportuno, permitindo maior controle da geração termelétrica e aumentando a possibilidade de despacho.

A utilização da biomassa em usinas termelétricas vem se tornando cada vez maior e está sendo usada para atingir áreas não contempladas pela rede elétrica de abastecimento, como comunidades rurais isoladas. O uso de sistemas de cogeração, que conciliam a geração de energia elétrica através da biomassa à produção de calor, aumentando a eficiência energética dos sistemas de produção, vem se tornando, também, cada vez mais comum.

Brasil

Atualmente, o recurso com maior potencial para ser usado como biomassa na geração de energia elétrica no país é o bagaço de cana-de-açúcar. O setor sucroalcooleiro gera uma grande quantidade de resíduos, que podem ser aproveitados como biomassa, principalmente em sistemas de cogeração.

Outras variedades vegetais com grande potencial para a produção de energia elétrica são o azeite de dendê (óleo de palma), que apresenta produtividade média anual por hectare quatro vezes maior do que a da cana-de-açúcar, o buriti, o babaçu e a andiroba. Eles surgem como alternativas para o abastecimento de energia elétrica em comunidades isoladas, sobretudo na região amazônica.

Ao se produzir etanol a partir da cana-de-açúcar, cerca de 28% da cana é transformada em bagaço. Este bagaço é uma biomassa comumente aproveitada nas usinas para a produção de vapor de baixa pressão, que é utilizado em turbinas de contrapressão nos equipamentos de extração (63%) e na geração de eletricidade (37%). A maior parte do vapor de baixa pressão que deixa as usinas é usado para o processo e aquecimento do caldo (24%) e nos aparelhos de destilação. Em média, cada aparelho requer cerca de 12 kWh de energia elétrica, valor que pode ser suprido pelos próprios resíduos de biomassa.

Outros resíduos agrícolas com alto potencial para serem usados como biomassa na produção de energia elétrica são a casca do arroz, a casca da castanha de caju e a casca do coco-da-baía.

Por Nei Costa

Fontes: Ecycle, Instituto Nacional de Eficiência Energética, Centro Nacional de Referência em Biomassa, Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL, Empresa de Pesquisa Energética (EPE)

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Pesquisador da Embrapa fala sobre a biomassa como alternativa para a produção de energia

O chefe-geral da Embrapa Roraima, o pesquisador Otoniel Ribeiro Duarte, disse que há alguns anos pesquisa a utilização da biomassa de inajá para a produção de energia em Roraima. Ele afirmou que os estudos estão bem adiantados, mas que ainda não é possível afirmar que esse processo pode suprir a demanda de energia do Estado.

Otoniel explicou que a produção de energia a partir da biomassa é um processo muito utilizado em vários pontos do mundo, e que se trata de uma alternativa de geração que pode ser consorciada à outras fontes, como energia solar ou eólica, para ser ter uma matriz energética eficiente e segura.

Ele explicou que biomassa, como o próprio nome diz, trata-se vida (bio) e massa, que é o volume de material sólido, líquido ou gasoso para geração de energia, e também os resíduos, como esterco produzido por animais. “Tudo isso provém de uma massa viva. Então você usa o esterco para geração de gás, o biogás. O esterco fresco (normalmente é usado de bovinos e de suínos que existe em maior volume) vai para um biodigestor e vai fermentar e se transformar em gás que tem alto poder de combustão, pois é rico em metano. Esse produto vai ser utilizado como fonte de energia”.

O pesquisador esclareceu que muitas plantas, principalmente as oleaginosas, como o girassol, soja e outras produzem o biocombustível, biodiesel que é usado para geração de energia. “Temos várias plantas que são utilizadas para esse fim. O milho, o algodão, a soja, o girassol, o cacau, o amendoim, a canola, castanha do Pará, o abacate, o coco, o dendê e no caso de Roraima o inajá. O dendê entre todas as que eu citei é a que tem a maior produção de óleo por hectare, produzindo de 5000 a 6000 litros em média, por hectare”.

Otoniel citou as algas, que são extremamente promissoras, pois numa área de um hectare se produz  até mais de 100 mil litros de óleo. “O problema é que a tecnologia está muito restrita ainda e quem domina essa tecnologia são empresas particulares, pois se trata de conhecimento estratégico”.

O pesquisador vê com otimismo essa diversidade de plantas que produzem óleo e a queima do material seco, como madeira e restos de folhas das próprias plantas, além dos gases oriundos dos estercos, que também podem ser misturados com vegetal para esse composto gerar gás. “Hoje, na suinocultura principalmente, estados como Santa Catarina e Paraná estão usando muito. Os grandes produtores de suínos utilizam as fezes dos animais. Os biodigestores são bolsas gigantes onde é canalizado o esterco que gera gás, que gera energia para sustentar as propriedades só com gás que elas mesmo produzem. É energia que vai para a rede elétrica nacional. Então nós temos diversas fontes de biomassa que é proveniente de organismos vivos, vegetais e animais, que de qualquer forma geram energia”.

No caso de Roraima, continua Otoniel, a grande vantagem na produção de biomassa é a posição geográfica junto à linha do Equador. O Estado tem uma quantidade grande de luz, incidência solar muito grande, maior que nas outras regiões o que provoca nas plantas oleaginosas o que se chama de estresse luminoso. “A planta submetida ao estresse luminoso que é o estresse provocado pelo excesso de luz acumula mais óleo na semente para ela ter mais reserva de óleo. Isso garante a geração de uma nova planta, que em estresse sempre se coloca nessa posição de perpetuar a espécie. E no caso das oleaginosas, a estratégia dela é acumular óleo que é a energia que vai garantir o sustento da semente para gerar uma nova planta. Então, todas as oleaginosas como girassol, amendoim, soja, mamona, inajá e dendê em Roraima tem um teor de óleo maior que em outras regiões. Isso faz com que a produção de óleo seja maior aqui, o que é uma grande vantagem”, destaca.

A Embrapa Roraima concentrou seus estudos na produção do Inajá, que é uma planta nativa e um grande problema para os pecuaristas, pois é considerada uma invasora nas pastagens.

O inajá tem uma característica de nascer na pastagem quando passa o fogo que queima toda a vegetação e afeta o solo até certa profundidade, cerca de cinco centímetros. A semente do Inajá nasce em uma estrutura que vai até 23 cm de profundidade; Por isso o fogo não queima essa semente. Quanto mais fogo passar, mais ela se torna endêmica na área.

“Já descobrimos que o inajá tem capacidade de produzir até 3.900 litros de óleo por hectare. Essas populações que eu estudei estão concentrados nos municípios de Iracema e Mucajaí. Todo esse potencial é sem melhoramento genético. O dendê, com 60 anos de melhoramento genético e todo um trabalho de sistemas de produção a produção é de até 6.000 litros de óleo. Olha o potencial que tem o inajá”, relatou.

Otoniel acredita que com investimento e mais estudos é possível identificar materiais promissores, fazer o plantio e tornar ela uma cultura de alta produtividade.

O chefe da Embrapa lembra que hoje na matriz de produção de biodiesel, a soja responde por 70% a 80% do biodiesel brasileiro. Porém, a soja é alimento nobre, tanto para uso humano quanto para a produção de ração animal. “Já o Inajá não é um alimento, como as microalgas também não são. “Assim, não deixamos de produzir alimento para produzir combustível”. A nossa concentração de estudos está no inajá, que sem sombra de dúvida é extremamente promissor.

Ele explica que a vantagem do inajá em relação ao dendê é que o dendê é africano e o inajá é uma planta nativa. O dendê tem espinhos e o inajá não. “Por isso o inajá tem toda uma cadeia de animais ligada a ela como macacos, araras, papagaios, antas, entre outros. Assim, você está preservando o meio-ambiente. Nossa preocupação é produzir energia, impactando menos possível o meio ambiente”, explicou Otoniel.

Por Nei Costa

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Fórum estende prazo da enquete para população votar sobre viabilidade da Usina do Bem Querer

Com o grande interesse das pessoas e a intensificação do debate sobre a viabilidade da construção da Usina Hidrelétrica do Bem Querer, o Fórum de Energias Renováveis de Roraima estendeu o prazo para que as pessoas votem na enquete e expressem suas opiniões favoráveis ou contrárias à construção da Usina.

Até a noite de domingo (30 de agosto), 896 pessoas haviam votado na enquete que está publicada no portal www.energiasroraima.com.br.

Até aquele momento a maioria havia votado contra a construção. Deste total, 329 internautas optaram por ser favoráveis e 567 se posicionaram contra o empreendimento.

O debate também teve grande repercussão nas redes sociais. No Facebook centenas de pessoas fizeram comentários, opinando e mostrando satisfação ou não em relação à obra.

Somente na página do Fórum no Facebook, mais de 7.700 pessoas foram alcançadas e cerca de 200 fizeram comentários a respeito do assunto nos diversos grupos em que a enquete foi compartilhada.

O coordenador do Fórum, engenheiro Alexandre Henklain, afirmou que a grande procura das pessoas no processo de votação na enquete, mostra que o assunto é de grande interesse de toda a população de Roraima e que por esse motivo o prazo para votação está sendo estendido por mais alguns dias.

Por Nei Costa

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Cientista alerta que UHE do Bem Querer será mais um desastre para a Amazônia

O doutor em Ecologia e Biologia Evolucionária da Universidade de Michigan (EUA) e pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Philip Martin Fearnside, afirmou em artigo publicado na no portal da Agência Amazônia Real, que a Usina Hidrelétrica do Bem Querer é mais um desastre amazônica à vista.

No artigo, Fearnside explica que a Amazônia já tem mais de uma dúzia de grandes hidrelétricas, que provocam uma série de severos impactos humanos e ambientais e com benefícios muito aquém dos que foram imaginados pelos seus proponentes na hora das decisões.

Segundo ele, as lições desta história não foram aprendidas, e hoje o governo avança rapidamente nos seus preparativos para mais uma barragem com sérios questionamentos – a Usina Hidrelétrica (UHE) Bem Querer, planejado para barrar o rio Branco, em Roraima, em 2028 com 650 MW instalados.

Philip explica que no caso da UHE Bem Querer, os impactos são bastante grandes, uma vez que inunda um trecho de 130 km do rio Branco, eliminando os ecossistemas aquáticos no rio de alta biodiversidade. Além disso, elimina as matas ripárias, afeta diretamente três unidades de conservação que se encontram logo a jusante da barragem (Parque Nacional do Viruá, Estação Ecológica de Niquiá e Estação Ecológica de Caracaraí), e indiretamente afeta quase todas as unidades de conservação em Roraima. “Impacta uma diversidade especialmente grande de aves nas áreas sacrificadas. Vai emitir gases de efeito estufa, sobretudo o metano e vai alterar o regime hidrológico rio abaixo, um efeito que tem matado grandes áreas de floresta inundada a jusante da hidrelétrica de Balbina”, destacou.

O cientista lembra que a população ao longo do rio e abaixo da UHE Bem Querer sofrerá da mudança do regime hidrológico, assim como da diminuição da pesca provocado pela diminuição de oxigênio na água, o bloqueio da migração de peixes e a diminuição dos nutrientes na água.

“Esta diminuição dos nutrientes ocorre devido à retenção de sedimentos no reservatório, pois os nutrientes são associados às partículas de sedimento. O rio Branco tem muitos sedimentos, e é por isso que ganhou seu nome de ‘rio Branco’”, esclarece.

Philip Fearnside  garante que a diminuição de sedimentos a jusante de barragens provoca erosão do fundo e das margens do rio, como está ocorrendo no rio Madeira, onde os sedimentos diminuíram em 30%.  Para ele, a diminuição dos nutrientes causada pela retenção de sedimentos mina toda a cadeia alimentar que sustenta a população de peixes. “Os sedimentos do rio Branco também são essenciais para manter os ecossistemas do arquipélago das Anavilhanas (AM), que se formou no rio Negro a partir destes sedimentos. Ou seja, a UHE Bem Querer ameaça uma das joias do sistema brasileiro de parques nacionais”.

No ponto de vista de Philip, Roraima não precisa da barragem, pois foi identificado como tendo o melhor potencial para energia solar entre os estados amazônicos, a população do estado é pequena e a barragem não elimina a planejada linha de transmissão de Manaus, que já está conectada à UHE Tucuruí. “A maior parte da energia que seria gerada pela UHE Bem Querer não é intencionada para Roraima, mas sim para outras partes do Brasil”.

De acordo com o pesquisador, um representante da Empresa de Pesquisa Energética, do Ministério das Minas e Energia, explicou isto com todas as letras em um evento público em Boa Vista em julho de 2018. Como Roraima se encontra no hemisfério norte, as estações do ano são invertidas em relação ao resto do Brasil. “Portanto, a energia gerada em Roraima quando há muita chuva neste estado pode ser transmitida para o sul do equador quando falta água para usar toda a capacidade das hidrelétricas lá”.

Ele lembra ainda que o representante do Ministério das Minas e Energia falou que ‘agora é a hora de Roraima fazer pelo Brasil’. “Isto representa mais um exemplo do impacto de barragens amazônicas em termos de justiça ambiental”, garante.

Philip Fearnside afirma que para tomar decisões sensatas sobre grandes obras como esta, precisa levantar e considerar os impactos, os benefícios e as alternativas antes de tomar a decisão. “Essas informações precisam ser colhidas e apresentadas sem viés e precisam ser divulgadas e debatidas democraticamente como parte da tomada de decisão. Não pode ser como é feito hoje no processo de licenciamento, como um passo formal para legalizar uma decisão já tomada”.

Por Nei Costa

Amazônia Real

Foto – Divulgação

jorge romano

Presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo acredita que obra da Usina é necessária para Roraima

O Fórum de Energias Renováveis de Roraima está com sua enquete no ar, querendo saber se a população de Roraima é contra ou a favor da construção da Usina Hidrelétrica do Bem Querer.

Mesmo com a enquete, o Fórum vai continuar ouvindo profissionais de áreas diversas para saber deles suas opiniões a respeito do empreendimento.

O presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Roraima, CAU-RR, o arquiteto Jorge Romano, participou do processo e afirmou que antes de tudo deve-se saber que toda obra humana causa impacto e cabe ao ser humano, com sua inteligência e sabedoria, tentar mitigá-los em qualquer obra da construção civil.

“Há um impacto ambiental grande em qualquer obra, seja ele na construção de uma casa, seja numa rede de esgoto, seja numa barragem, seja no que for. Qualquer obra causa impacto. Essa é a primeira premissa. A segunda é que esses impactos podem ser mitigados sim, podem ser compensados. Então um empreendimento como este, que começa com uma barragem e depois com uma usina para gerar energia gera impacto”, destacou.

Jorge Romano disse que primeiro é necessário entender que Roraima está numa ‘ilha’ e a energia é deficiente. “Quantos empreendimentos Roraima já deixou de receber por falta de uma matriz energética confiável? Então, do ponto de vista ambiental, ela é viável também desde que os impactos sejam mitigados. Do ponto de vista econômico, a obra não é só viável, mas necessária para fazer parte de uma matriz energética que dê sustentação ao Estado e torná-lo economicamente viável do ponto de vista da sustentabilidade”, disse.

O arquiteto lembra que muitos problemas devam ser resolvidos, principalmente os impactos sociais. Ele acredita que há condições de se criar projetos paralelos, porque na hora que você faz uma represa, pode-se também criar uma segunda via, como projetos de criação de peixes, de irrigação de lavouras e assim por diante. “Então, tem uma série de outras coisas que são favoráveis à usina do ponto de vista social e econômico, desde que sejam mitigados os impactos”.

Jorge é favorável à construção da Usina, mas afirma, desde que os cuidados já citados sejam dispensados aos aspectos sociais, ambientais e culturais e que existem alternativas que Jorge cita como exemplo: o uso da energia solar ou eólica. Ele lembra que os espelhos reflexivos já estão sendo implantados no Estado para reforçar a matriz energética com a utilização da energia solar.

Jorge Romano disse que até que se prove o contrário, a solução mais econômica ainda é uma usina movida a água (hidrelétrica), que também precisa de controles de vasão, de inundação e todas as consequências do represamento e transbordo.

Quanto ao valor do investimento em relação ao benefício gerado, Jorge Romano afirmou que ainda não pode tirar nenhuma conclusão com precisão, porque não tem os dados para fazer essa avaliação.

“Então seria desonesto eu afirmar que a quantidade de energia gerada justificaria o investimento. Eu ainda não tenho e não amadureci ainda essa minha posição”, disse.

Jorge Romano lembrou que há todo um trabalho sendo feito pelo Fórum de Energias e ele faz parte desse Fórum. “A gente está discutindo, conversando com as pessoas que estão envolvidas em todo esse processo. Então, a gente tem que usar os meios que estão disponíveis e que já estão sendo usados, como é o caso dos seminários e as discussões que estão sendo feita com vários atores, inclusive o governo federal, os parlamentares estaduais e federais. A ideia é responder para toda a sociedade se esse projeto é importante do ponto de vista do desenvolvimento social e econômico. A construção de uma base sólida da matriz energética é sim, muito importante para o Estado. A gente tem que ter alternativas para favorecer nosso desenvolvimento e isso depende de energia de qualidade.  A questão da geração de energia e uma matriz que inclua uma hidrelétrica favorece e atrai investidores e impulsiona o desenvolvimento sustentável de Roraima, por isso entendemos como positiva”, concluiu.

Por Nei Costa

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Você é a favor ou contra a construção da Usina Hidrelétrica do Bem Querer?

A Usina Hidrelétrica do Bem Querer deverá ter capacidade de geração de 650 MW, reservatório com extensão de 150 km de extensão e área de 520 km2, e será construída nas corredeiras do mesmo nome no rio Branco, município de Caracaraí.

Os estudos estão sendo coordenados pela Empresa de Pesquisa Energética – EPE, ligada ao Governo Federal. O projeto está na etapa dos estudos de viabilidade técnica, econômica e socioambiental. A expectativa de geração anual de energia da UHE do Bem Querer é de 3 milhões de MWh.

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Cientista do INPA aponta inviabilidade econômica e ambiental para a construção da UHE do Bem Querer

O cientista e doutorando do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia, Lucas Ferrante, afirma que há dois grandes problemas na Hidrelétrica do Bem Querer. O primeiro é que ela vai gerar muito menos energia do que se promete e o segundo é o dano ambiental.

Ouça a entrevista:

Ciro Campos. Foto: J.Pavani

Membro do Movimento Puraké é o convidado do Fórum para a live sobre Bem Querer

O representante do Movimento Puraké, o biólogo Ciro Campos, é o convidado do Fórum de Energias Renováveis de Roraima para participar da live de hoje à noite, às 19h30, que trata da possível implantação da Usina Hidrelétrica do Bem Querer, no rio Branco, município de Caracaraí.

Como demonstrado em matérias anteriores, o Movimento Puraké não aprova a construção da UHE Bem Querer, pois acredita que o empreendimento trará muitos prejuízos não só para o meio ambiente, mas para toda a sociedade roraimense.

Ciro Campos, que também é do Instituto Socioambiental (ISA), é um dos críticos da Usina. Para ele, a obra será mais um grande desastre na Amazônia, pois vai provocar grandes impactos ambientais, sociais e econômicos.

Ciro critica a forma como o processo está sendo conduzido pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e afirma que muitas perguntas ainda não foram respondidas, fato que compromete o bom entendimento do empreendimento.

“Nós temos muitos questionamentos e, infelizmente, a empresa responsável ainda não nos repassou todas as informações necessárias para que possamos ter uma melhor avaliação do processo”, disse Ciro.

O moderador da live será o coordenador do Fórum, engenheiro Alexandre Henklain. “Tivemos, na primeira live, a participação da Coordenadora do Estudo de Impacto Ambiental do Projeto da Usina Hidrelétrica do Bem Querer, Natasha Sodré, da EPE. Hoje (19), a partir das 19h30, vamos ter a participação do biólogo Ciro Campos, do Movimento Puraké e ISA. EPE e ISA representam ‘linhas de pensamento’ da maior relevância! Com duração estimada em uma hora e a moderação do FÓRUM DE ENERGIAS RENOVÁVEIS DE RORAIMA, nessas live poderemos aprofundar nossa compreensão sobre o assunto, suas perspectivas, implicações e impactos”, destacou Henklain.

Para ter acesso à live de hoje à noite os interessados podem entrar em @energiasrenovaveisrr, onde poderão entender as propostas, fazer perguntas e emitir opinião a respeito do assunto.

Por Nei Costa